2006-01-25

O RACIONALISMO DE DESCARTES

Para DESCARTES só as ideias INATAS são 'claras e distintas' ( 1ª Regra do Método), só elas podem oferecer um fundamento verdadeiramente capaz para edificar um conhecimento seguro. As Ideias Inatas pertencem à nossa Razão, e não têm existência senão nela, porque aí foram depositadas pelo Ser Perfeito, Criador, sustentador ontológico e gnosiológico. Assim sendo, o conhecimento verdadeiro, seguro, só pode ter a sua origem na Razão - os sentidos só podem oferecer dados confusos e obscuros. Todo aquele que desejar possuir um conhecimento inabalável ( que resista à dúvida - demolidora, hiperbólica, metódica),um conhecimento Claro e Distinto,esse só pode encontrar tal conhecimento na Razão," a coisa no mundo melhor distribuida", mas que necessita que se faça dela um uso devido "Metódico" para explorar todas as suas possibilidades cognoscitivas.

CONTRIBUTOS E PRINCÍPIOS DO RACIONALISMO DE DESCARTES

" (...) Descartes ensina-nos que, para bem conhecer o real, o real físico tal como se encontra em si mesmo, tal como se encontra fora de nós, precisamos antes de tudo de recusar qualquer contribuição e qualquer informação que nos venham, ou pareçam vir, de fora, ou seja, qualquer contribuição e qualquer informação que nos venham da percepção sensível, que só nos poderia induzir em erro; que precisamos de fazer tábua rasa do nosso mundo habitual - o senso comum, aí está o inimigo - e excluir do real tudo o que, comummente, nos parece pertencer-lhe: a cor, o calor, e mesmo a dureza e o peso. Para conhecer o real precisamos de começar por fechar os olhos, tapar as orelhas, renunciar ao tacto; precisamos, pelo contrário, de nos virar para nós mesmos, e procurar, no nosso entendimento, ideias que sejam claras para ele. "
A. KOYRÉ, Considerações sobre Descartes

2006-01-11

John Locke:

" Dizer que há verdades impressas na alma, que a alma não apercebe ou não entende, é, parece-me, uma espécie de contradição: a acção de imprimir não podendo marcar (...). Porque imprimir o que quer que seja na alma, sem que a alma se aperceba, é, segundo me parece, uma coisa pouco inteligível (...)."


Essaio sobre o Entendimento Humano

DO CONHECIMENTO EMPÍRICO

" Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência; efectivamente, que outra coisa poderia despertar e pôr em accção a nossa capacidade de conhecer, senão os objectos que afectam os sentidos e que, por um lado, originam por si mesmos as representações e, por outro, põem em movimento a nossa faculdade intelectual e levam-na a compará-las, ligá-las ou separá-las, transformando assim a matéria bruta das impressões sensíveis num conhecimento que se denomina experiência? Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência, e é com esta que todo o conhecimento tem o seu início."
I. Kant, CRP

CONHECIMENTO EMPÍRICO VS. CONHECIMENTO RACIONAL

" No nosso conhecimento intelectual, temos de ter em conta duas coisas. A primeira que o conhecimento científico tem a sua origem, de algum modo, no sensitivo. E já que os sentidos percebem o singular e o entendimento o universal, é necessário que o conhecimento das coisas singulares preceda em nós o das universais. "
S. Tomás de Aquino, S.T. I